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  • Bruno Crispim

5 barreiras que atrapalham seu leitor




Quando escrevo uma história, não me preocupo se estou cometendo erros. Pelo menos não no início. Eu simplesmente escrevo, sabendo que vou precisar revisar e reescrever o texto algumas vezes depois.

Faço isso porque as ideias surgem na minha cabeça numa velocidade maior do que eu consigo digitar. Para não perder ideias e me manter concentrado no fluxo da escrita, nesse primeiro momento, escrevo sem pensar no resultado final.

Quando chega a hora da revisão e edição, entretanto, persigo meus erros com truculência. Considero um erro tudo o que cria uma barreira entre o texto e o leitor. Abaixo, listo algumas dessas barreiras que podem prejudicar a experiência de leitura das suas histórias.


1. Erros de Ortografia e Gramática

Na ânsia de colocar suas ideias no papel, provavelmente você vai cometer erros de ortografia e gramática. Tais erros têm grandes chances de distrair o leitor, tirando o foco da história. Por isso, o processo de revisão e edição são tão importantes.

Você não precisa decorar o dicionário e todas as regras gramaticais, mas lembre-se que a língua portuguesa é a principal ferramenta de trabalho do escritor. Sempre que estiver com alguma dúvida, pesquise. O mínimo a se fazer é prestar atenção ao revisor automático dos processadores de texto. Nem sempre eles identificam todos os erros gramaticais, mas eles geralmente fazem um bom trabalho identificando erros ortográficos. Este site pode ajudar você a sanar muitas dúvidas: www.normaculta.com.br


2. Preocupação Excessiva com Regras

Correção gramatical e ortográfica são importantes, mas mesmos essas regras podem ser quebradas em alguns momentos. Em diálogos, por exemplo, palavras escritas de forma incorreta podem fazer as falas dos personagens soarem mais próximas da linguagem oral e, portanto, mais naturais.

Em uma narrativa na primeira pessoa, você também pode decidir cometer certos erros intencionalmente com o objetivo de reforçar a espontaneidade e informalidade que caracterizam o jeito de falar do personagem/narrador. O mais importante é que, ao desrespeitar regras gramaticais e ortográficas, você esteja fazendo uma escolha de estilo, não cometendo um erro involuntário.


3. Erros de Continuidade

Roteiristas de séries de tv costumam fazer um resumo do que aconteceu em cada episódio. A ideia é ter em mãos um roteiro de fácil acesso aos principais eventos do enredo. Aconselho você a fazer o mesmo para cada capítulo do seu livro. Escrever um romance é um projeto que dura meses ou mesmo anos. Quando você estiver trabalhando no décimo quinto capítulo, talvez precise lembrar de detalhes importantes dos primeiros capítulos.

Por isso, recomendo que você crie um pequeno guia de cenas, listando personagens, cenários, tramas, subtramas e até mesmo os objetos importantes presentes em cada capítulo do seu livro. Sempre que precisar ganhar uma perspectiva macro da história para avaliar a linha de ação do enredo e identificar possíveis erros de continuidade, esse breve resumo dos principais elementos da história pode ajudar você. Ao final da primeira versão, leia esse guia e faça uma revisão, do início ao fim.


4. Excesso de Adjetivos e Advérbios

Faça um teste. Corte todos os adjetivos e advérbios de um capítulo do seu livro e leia o texto em voz alta. Onde a narrativa ficar mais dinâmica e o texto não perder sentido, mantenha o corte. Onde o texto soar estranho, os adjetivos e advérbios talvez sejam necessários.

Ainda assim, antes de reincluí-los no texto, teste substituir adjetivos/advérbios abstratos e genéricos por outros mais concretos e específicos. Por exemplo, experimente descrever uma casa mencionando seus quatorze quartos, ao invés de simplesmente dizer que a casa é grande.


5. Prolixidade

Um escritor prolixo é aquele que usa palavras em excesso para dizer alguma coisa. Incluir descrições no texto simplesmente para preencher a página e “dar corpo” para a história é um desrespeito com o leitor. Em geral, se você pode expressar uma ideia com uma frase, não use duas. É importante diferenciar descrições e cenas cuja função é dar textura à escrita daquelas cujo principal objetivo é demonstrar a sensibilidade e poder de observação do escritor. O primeiro tipo é o que dá vida para um texto. O segundo tipo é o que torna um texto maçante.

A consequência da prolixidade no enredo é o acúmulo de cenas sem relevância para a trama. Segundo o escritor Robert Mckee, uma boa cena cumpre três funções: evolução da trama, criação de conflito e exposição de informação relevantes para a história. Se uma cena cumpre apenas duas de suas atribuições, você precisa consertá-la. Se cumpre uma ou nenhuma, provavelmente essa cena não é necessária e deve ser cortada.

Indicação de leitura

No final de cada post, irei recomendar um livro que pode, de alguma forma, te ajudar na sua jornada como escritor(a).

Hoje, indico Pequeno manual antirracista de Djamila Ribeiro. O livro é uma introdução ao comportamento antirracista – algo fundamental para o esfacelamento do racismo estrutural na sociedade brasileira. Em textos rápidos Djamila propõe reflexões profundas. Todo mundo deveria ler esse livro.

Se você gostou dessa recomendação e quiser comprar o livro, use esse link para contribuir com a manutenção do GUIA ;)


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