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  • Bruno Crispim

a invencível estrutura de 3 atos

Atualizado: Mar 10


a invencível estrutura de 3 atos
a invencível estrutura de 3 atos - guia do escritor de ficção

Compreender o enredo das histórias é dominar a estrutura aristotélica – também conhecida por estrutura de 3 atos.


Se dividirmos uma boa história em partes, encontraremos uma série de eventos menores interligados e coesos (as cenas) que levam a trama para frente. Ao agruparmos essas cenas, de forma subconsciente chegaremos ao famoso início, meio e fim. Ou apresentação, complicação e resolução. Bom, essa é a famosa estrutura de três atos.

PRIMEIRO ATO – Começo: É a apresentação das personagens, do cenário e do conflito central da trama. É nessa parte em que as primeiras perguntas são lançadas ao leitor.

Segundo Syd Field, famoso consultor de roteiro para Hollywood, esta parte deve ser breve – nunca maior do que um quarto do tamanho da história – e eficiente na tarefa de fisgar o leitor. Quanto mais eficaz, menor será este Ato e mais rapidamente o leitor será lançado na trama.

Syd Field acrescenta que é recomendável escrever o início já sabendo do final, para que se compreenda a forma ideal de começar uma história. Eu adiciono uma sugestão: comece de onde for mais natural para você, de onde a trama fluir. Mas, uma vez terminada a primeira versão, tire um tempo para repensar o começo.

Ao final do primeiro Ato, acontece uma reviravolta (o incidente incitante) que lança o protagonista no Ato seguinte.

SEGUNDO ATO – Meio: É o desdobramento da trama. Tem a difícil função de manter a atenção do leitor, enquanto prepara o campo para o clímax e para o desfecho. Tudo isso, sem ser óbvio. É um terreno fértil para as subtramas, que aprofundam as personagens principais, além da trama central de forma indireta.

Outra possibilidade é focar na trama central, intensificando a tensão à cada cena e deixando o leitor sem folego. Para isso, a evolução dos obstáculos (conflitos) deve produzir a sensação de que nada vai dar certo para o protagonista. Ao mesmo tempo, a empatia deve ser forte o suficiente para manter o leitor esperançoso de que, se ele rezar o suficiente, o herói pode se salvar.

No caso das subtramas, ganha-se profundidade. No caso da tensão crescente, ganha-se ritmo. Cada caso é ideal para um tipo de história, mas é comum que a mistura deles enriqueça a trama.

Existe, ainda, uma outra forma de enxergar este Ato: como dois Atos distintos. Nessa estrutura, defendida por Syd Field, cada Ato tem uma grande reviravolta no final. Quando comparadas, essas duas reviravoltas são consecutivas, crescentes e opostas em carga dramática (uma é positiva para o herói e a outra é negativa, ou vice-versa). Aconselho esta abordagem para suspenses ou histórias longas – quando o meio fica grande demais.

De qualquer forma, ao final deste longo Ato, temos a reviravolta mais importante da trama – o Clímax. A história alcança o seu ponto mais alto de tensão. O protagonista precisa enfrentar o seu antagonista.

Ocupa, pelo menos, metade do tamanho da história.

TERCEIRO ATO – Fim: Começa com o clímax – a cena onde o protagonista enfrenta, junto com o vilão, o conflito principal do enredo – normalmente ligado ao defeito fundamental. Se ele é um covarde, arriscará a própria vida. Se é egoísta, se doará ao próximo. Se é impiedoso, perdoará. A alternativa é falhar em sua missão.

Encerrado o clímax, as últimas respostas precisam ser dadas. A história atinge o seu desfecho e o leitor se despede do mundo ficcional.

Caso haja continuação, o desfecho é parcial para que a história termine com um gancho forte – uma pergunta a ser respondida. É oportuno, no entanto, que um novo conflito seja lançado para não soar um alongamento desnecessário da trama. Mas, se algum conflito ficar sem resposta, assegure-se de que ele seja forte o suficiente para atrair o leitor para um próximo livro.

Como o Primeiro Ato, este deve ser curto. No máximo, um quarto da história.




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