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  • Bruno Crispim

a invencível estrutura de 3 atos


a invencível estrutura de 3 atos - guia do escritor de ficção

Compreender o enredo das histórias é dominar a estrutura aristotélica – também conhecida por estrutura de 3 atos.


Se dividirmos uma boa história em partes, encontraremos uma série de eventos menores interligados e coesos (as cenas) que levam a trama para frente. Ao agruparmos essas cenas, de forma subconsciente chegaremos ao famoso início, meio e fim. Ou apresentação, complicação e resolução. Bom, essa é a famosa estrutura de três atos.

PRIMEIRO ATO – Começo: É a apresentação das personagens, do cenário e do conflito central da trama. É nessa parte em que as primeiras perguntas são lançadas ao leitor.

Segundo Syd Field, famoso consultor de roteiro para Hollywood, esta parte deve ser breve – nunca maior do que um quarto do tamanho da história – e eficiente na tarefa de fisgar o leitor. Quanto mais eficaz, menor será este Ato e mais rapidamente o leitor será lançado na trama.

Syd Field acrescenta que é recomendável escrever o início já sabendo do final, para que se compreenda a forma ideal de começar uma história. Eu adiciono uma sugestão: comece de onde for mais natural para você, de onde a trama fluir. Mas, uma vez terminada a primeira versão, tire um tempo para repensar o começo.

Ao final do primeiro Ato, acontece uma reviravolta (o incidente incitante) que lança o protagonista no Ato seguinte.

SEGUNDO ATO – Meio: É o desdobramento da trama. Tem a difícil função de manter a atenção do leitor, enquanto prepara o campo para o clímax e para o desfecho. Tudo isso, sem ser óbvio. É um terreno fértil para as subtramas, que aprofundam as personagens principais, além da trama central de forma indireta.

Outra possibilidade é focar na trama central, intensificando a tensão à cada cena e deixando o leitor sem folego. Para isso, a evolução dos obstáculos (conflitos) deve produzir a sensação de que nada vai dar certo para o protagonista. Ao mesmo tempo, a empatia deve ser forte o suficiente para manter o leitor esperançoso de que, se ele rezar o suficiente, o herói pode se salvar.

No caso das subtramas, ganha-se profundidade. No caso da tensão crescente, ganha-se ritmo. Cada caso é ideal para um tipo de história, mas é comum que a mistura deles enriqueça a trama.

Existe, ainda, uma outra forma de enxergar este Ato: como dois Atos distintos. Nessa estrutura, defendida por Syd Field, cada Ato tem uma grande reviravolta no final. Quando comparadas, essas duas reviravoltas são consecutivas, crescentes e opostas em carga dramática (uma é positiva para o herói e a outra é negativa, ou vice-versa). Aconselho esta abordagem para suspenses ou histórias longas – quando o meio fica grande demais.

De qualquer forma, ao final deste longo Ato, temos a reviravolta mais importante da trama – o Clímax. A história alcança o seu ponto mais alto de tensão. O protagonista precisa enfrentar o seu antagonista.

Ocupa, pelo menos, metade do tamanho da história.

TERCEIRO ATO – Fim: Começa com o clímax – a cena onde o protagonista enfrenta, junto com o vilão, o conflito principal do enredo – normalmente ligado ao defeito fundamental. Se ele é um covarde, arriscará a própria vida. Se é egoísta, se doará ao próximo. Se é impiedoso, perdoará. A alternativa é falhar em sua missão.

Encerrado o clímax, as últimas respostas precisam ser dadas. A história atinge o seu desfecho e o leitor se despede do mundo ficcional.

Caso haja continuação, o desfecho é parcial para que a história termine com um gancho forte – uma pergunta a ser respondida. É oportuno, no entanto, que um novo conflito seja lançado para não soar um alongamento desnecessário da trama. Mas, se algum conflito ficar sem resposta, assegure-se de que ele seja forte o suficiente para atrair o leitor para um próximo livro.

Como o Primeiro Ato, este deve ser curto. No máximo, um quarto da história.


Indicação de leitura

No final de cada post, irei recomendar um livro que pode, de alguma forma, te ajudar na sua jornada como escritor(a).

Falar de estrutura é falar do livro Story: Substância, estrutura, estilo de Robert Mckee: Sem dúvida o livro técnico mais impactante para a minha escrita. Mckee é um consultor de roteiros de Hollywood com muita experiência em enredo. A obra trata do design de roteiros e quase tudo pode ser adaptado para a literatura. Todo escritor deveria ler e estudar esse livro.

Se você gostou dessa recomendação e quiser comprar o livro, use esse link para contribuir com a manutenção do GUIA ;)

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