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  • Bruno Crispim

o financiamento coletivo

Atualizado: Mar 10





Nos últimos anos, milhares de artistas pelo mundo conheceram uma nova opção para viabilizar as suas carreiras, bem longe dos mercados tradicionais e das suas restrições de acesso. Falo do crowdfunding ou financiamento coletivo – uma alternativa especialmente interessante para os escritores brasileiros.


Presto especial atenção no tema há alguns anos. Mais por curiosidade intelectual do que com a vontade de entrar nessa empreitada (algo que mudou radicalmente nos últimos meses). E quero dividir com vocês o que eu ouvi e li sobre o tema que é pertinente à todo escritor independente – e mesmo aos publicados.


Produzirei uma série de textos assíncronos. Hoje, faço uma breve introdução.

A razão de ser do financiamento coletivo é aproximar o consumidor do produtor, tirando intermediários – como as editoras – da função de selecionar o que será criado. Nessas plataformas, quem escolhe o livro que será publicado é o leitor.


Essa ideia simples traz consequências drásticas em um setor que, por décadas, se afastou do seu público. Que, por desconhecimento ou omissão, se preocupou mais em nos empurrar os seus produtos do que ouvir os seus consumidores.


Com o advento das mídias sociais, o espaço para essa produção empurrada acabou. O público tem voz e faz questão de dar a sua opinião.


Nesse momento de aproximação, o financiamento coletivo traz a refrescante possibilidade de os artistas mostrarem suas obras. Mostrarem, divulgarem e rezarem, pois será o público quem decidirá qual projeto é merecedor do seu apoio.

Nesse modelo, o escritor dá mais um passo no caminho de artista-empresário.

Junto com o acesso, ganha responsabilidades. Contratar e selecionar os prestadores de serviços ideias. Encontrar e conquistar apoiadores. Produzir e entregar o produto pronto no prazo.


Contudo, o que parece assustador em um primeiro momento é, na minha opinião, muito positivo.

Ganha-se transparência – algo escasso no mercado. O autor conquista a consciência sobre o que é esperado dele. Ele entende que precisa escrever, produzir e vender. E o escritor independente já tinha essas responsabilidades. Mesmo que as ignorasse.


Em última instância, sempre coube ao autor o compromisso com a qualidade da sua obra. É ele quem deve desenvolver uma história única embalada em uma escrita impecável. E, mesmo nas maiores editoras, vender bem é o grande dever do autor.


Com essa proximidade, o escritor iniciante conhece os seus papeis e pode agir para garantir o sucesso do seu livro.

E se você discorda que vender seja um dos papeis do escritor, receio desapontá-lo. Em conversas recentes com autores publicados por grandes editoras brasileiras, todos eles foram unânimes ao dizer que os recursos e as ações de marketing de suas casas editoriais foram mínimos.


Calma, fica pior. Se o livro não vender bem, eles sabem que não haverá um segundo contrato editorial. O que, de fato, aconteceu com diversos autores nos últimos anos.

Se editoras brasileiras não fazem investimentos relevantes de marketing, na prática já cabia aos escritores brasileiros – até para os publicados – o esforço da venda.


Se isso já é verdade, plataformas como o Catarse, Kickante e Benfeitoria, trazem um grande benefício ao atenuar os riscos de lançar um livro independente.


Não é mais necessário investir milhares de reais para, então, procurar por leitores. Tudo isso enquanto encarramos em desespero uma sala de estar lotada de caixas de livros.

Você prepara um projeto, busca apoio (de preferência com um plano de marketing conciso) e, caso ele seja bem-sucedido, produz a quantidade que vendeu. Talvez um pouco mais para revender depois.


E o maior benefício, na minha opinião, é a sua capacitação profissional.


Ao estudar as melhores práticas e testar as teorias na prática, você se torna um profissional mais completo e um escritor mais profissional.


Você ganha a liberdade para criar a sua arte e a competência para encontrar o seu público. Com esse aprendizado, a viabilização da sua carreira não dependerá de um grupo diminuto de pessoas de um mercado pequeno. Seu sucesso dependerá só de você.

“Encontrar a liberdade de publicar o que eu acreditava me fez perceber a importância do financiamento coletivo para o artista independente.”

Marina Avila, fundadora da editora Wish.



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