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  • Bruno Crispim

corrigindo os 10 erros dos diálogos


Na semana passada, fizemos uma série de 3 posts no Instagram explicando os 10 erros dos diálogos. Se você não os conhece, dê uma passa por .


Bom, você fez uma análise aprofundada no seu texto e percebeu que seus diálogos não estão bons. Você identificou que está caindo nos 10 erros apontados por Robert Mckee. Vamos às soluções:


REPETIÇÃO

Seus diálogos são como trajes extravagantes: se você usá-los no dia a dia, além de causar estranhamento, eles vão perder seu valor. Com palavras e ideais acontece o mesmo, por isso descubra o melhor momento para usá-las e as use uma única vez. Só assim, seus diálogos terão todo o impacto pretendido.

Contudo, a causa da repetição pode ser que você ainda não encontrou as palavras certas para aquele momento. Às vezes, demora um pouco. Continue tentando. Escrevendo e reescrevendo. Com o passar das versões, os diálogos vão se aproximando do ideal.

Só não caia na tentação de repetir o que funcionou lá atrás.

BANALIDADE

Evite clichês com toda a força. Se precisar usá-los, troque a carga e o significado deles. Traga algo novo. Mostre que os melhores espetos são os de madeira, aqueles que os ferreiros têm em suas casas. Saia do senso comum para não ficar preso na multidão de histórias que estão sendo escritas.

LINGUAGEM NEUTRA

Pense em como as suas personagens são únicas e diferentes entre si. Não apenas o protagonista. Todas. Entenda o que só ela pode fazer e dizer. Procure palavras recorrentes, vícios de linguagem, sotaques e trejeitos na pronúncia. Então, reescreva os seus diálogos.

OSTENTAÇÃO

A não ser que a sua personagem seja caracterizada pelo excesso de formalismo ou que a cena peça um fraque, seja informal. Seja natural. Diga algo que uma pessoa real diria naquele contexto – ainda que de uma forma única.

Não tente parecer melhor do é. Você vai acabar parecendo amador.

DISCURSO ÁRIDO

Outra forma de ostentação. Mas essa se encontra na mensagem – não na forma do discurso, como no caso anterior. Seja simples, humilde e, mais uma vez, natural.

Imagine um amigo seu fazendo esse discurso filosófico. Faria sentido ou seria como um louco falando fora de hora?

Leia em voz alta. Se ficar forçado, reformule o diálogo. Se não couber na cena ou na boca da personagem, reformule.

EXAGERO

Imagine as novelas mexicanas com seu tanto de melodrama. Por que as cenas parecem forçadas? A resposta é que existe exagero nas emoções. Falta motivação para o estardalhaço.

Então, antes de começar o diálogo (ou antes de começar a reescrevê-lo), procure saber a motivação das personagens. Se não houver um conflito forte, pense em cortar a cena – diálogo incluído.

BATE-PAPO

Essa é simples. Corte. Sem pena. O que não tem importância para a trama, não merece estar no seu livro.

EXPOSIÇÃO FORÇADA

Os diálogos não devem ser apenas informativos. Se esse for o caso, repense as cenas para que o leitor saiba dos detalhes importantes de outra maneira. Se não souber como fazer isso, apenas corte toda a informação e dê para um amigo ler. Se ele entender mais ou menos, já é melhor do que como estava.

Algo que não pode sair da sua cabeça: acredite no seu leitor. Acredite na capacidade dele entender o contexto e a trama sem que você mastigue todas as informações. Se você não acreditar no leitor, ele não vai acreditar em você.

DEFEITO NA CENA

Imagine uma conversa sobre informações confidenciais. Agora imagine essa conversa na feira de sábado da sua cidade, entre a barraca de melancia e a barraca de pastel e caldo de cana. O cenário não combina com a mensagem e, inclusive, tira impacto dela. Se a intenção não for sarcástica, reestruture a cena para que o diálogo atinja todo o seu potencial.

SEM FILTRO

Todo mundo tem motivações conscientes e inconscientes. Às vezes, contraditórias entre si, outras vezes, a personagem se vê obrigada a dizer algo que não acredita. Por isso, dê a ela uma camada extra de verossimilhança e procure adicionar um conflito entre o que ela fala e o que acredita. Não precisa acontecer em todos os diálogos – nem deve –, mas teste colocar esse tempero nos momentos importantes.

OBSERVAÇÕES

Ø Não espere acertar na primeira versão. É ao longo do processo de escrita e reescrita que você compreende as personagens por dentro. Só depois que elas vão te mostrar como falam e agem. Então, aprimore os diálogos a cada versão.

O diálogo tem um enorme efeito de retenção do leitor. Por isso, dê a devida importância a ele. Se comprometa a lapidá-lo até que fique incrível.

Indicação de leitura

No final de cada post, irei recomendar um livro que pode, de alguma forma, te ajudar na sua jornada como escritor(a).

A indicação de hoje não poderia ser outra: Diálogo: a arte da ação verbal na Página, de Robert Mckee. O livro é uma verdadeira aula de diálogos e, com toda a certeza, vai te ajudar à construir boas falas.

Se você gostou dessa recomendação e quiser comprar o livro, use esse link para contribuir com a manutenção do GUIA ;)

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