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  • Bruno Crispim

usando scene cards (cartões de cena)

Atualizado: Jul 17


usando scene cards (cartões de cena) - Guia do Escritor de Ficção



Sabe aquela velha pergunta: de onde devo começar o meu romance? Do início, do meio ou do final? Com esta ferramenta, tanto faz.

Por mais que existam softwares e cartões especiais sendo vendidos, os Scene Cards são simplesmente o que o nome diz: cartões de cena – pedaços de papel onde anotamos o resumo de cada cena.


Desculpa se você esperava que fosse uma ferramenta mirabolante. São apenas pedaços de papel. Simples. E funciona muito bem para diversos escritores.

Eu já tinha ouvido sobre esse método há algum tempo e resolvi testar no último romance que escrevi – Morte e Ascensão de Darla Abranches. A minha experiência foi muito positiva, por isso divido com vocês.


Comecei cortando várias folhas A4 em oito pedaços e passei a anotar as cenas conforme elas surgiam na minha cabeça. Quando precisava de mais cartões, cortava rapidinho.


A ideia por traz dos cartões é facilitar a organização das ideias ao mesmo tempo que respeita a sequência em que elas aparecem. Assim, quando uma cena vier a sua cabeça, anote um breve resumo num pedaço de papel – sem muitos detalhes. Quando vier a próxima, descreva mais essa cena. E assim por diante.


O pulo do gato é que, a partir de um certo número de cenas, o enredo vai tomando forma e demandando cenas complementares. Se você escreveu um cartão com o assassinato de uma personagem importante, você vai perceber a necessidade de uma cena anterior que crie suspense. Então, pode escrever mais um cartão e o colocar antes daquele do crime.


Com frequência, uma cena chama duas, uma anterior e outra posterior. Às vezes, mais. Assim, a história vai se autoalimentado e se testando até que você tenha nas mãos o esqueleto da sua história – o storyline.


Quando achar que os cartões que você escreveu definem a sua história, passe a informação para o Word.


A sequência dos cartões é preencher os espaços entre eles com dramatização. Quando você concluir essa parte, você já terá em mãos, o primeiro rascunho da sua história.


E existe ainda mais uma utilização para os cartões. Caso você fique bloqueado em uma parte da trama, atualize os cartões e os disponha conforme acontecerão na sua história. A disposição gráfica das cenas costuma trazer insights sobre o que pode estar faltando ou esteja fora do lugar.


Imagine, por exemplo, que o início esteja lento e você quer testar colocar uma parte do segundo ato no início, com os cartões o teste é imediato – ainda que incompleto.


Eu costumo manter os cartões até concluir o primeiro rascunho – e os refaço se estiver travado na história. É o que os roteiristas da Pixar fazem. Vale a pena tentar.

Dica extra: Uma variação interessante dos cartões é usar post-its colados na parede. Nesse caso, a sequência de cenas é ainda mais bem visualizada.



Indicação de leitura


No final de cada post, irei recomendar um livro que pode, de alguma forma, te ajudar na sua jornada como escritor(a).

Hoje faço uma recomendação diferente: um mangá. Tokyo Ghoul de Sui Ishida. Um dos que mais gostei de ler, com uma evolução incrível do protagonista. Visual incrível. Enredo ágil e cheio de reviravoltas. Um ótimo mangá para você que não tem o costuma.

Se você gostou dessa recomendação e quiser comprar o livro, use esse link para contribuir com a manutenção do GUIA ;)

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