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  • Bruno Crispim

Arquétipos literários em Harry Potter


Baseado no trabalho do psiquiatra Carl Jung, a teoria dos arquétipos foi desenvolvida e adaptada por diversos outros teóricos – entre eles Joseph Campbell (O herói de mil faces) e Christopher Vogler (A jornada do escritor). A tese se propõe a sintetizar a personalidade das personagens mais frequentes nos mitos das mais diversas sociedades humanas.


Focando ao que cabe à literatura, os arquétipos representam padrões de comportamento que costumam ser observados nas histórias.

Como tanto, pode ser uma ferramenta importante no desenvolvimento de personagens complexas. Desde que, se evolua a partir deles. Caso contrário, existe grande risco que as suas personagens se tornem rasas.


Em seguida, resumo os oito principais arquétipos, com exemplos da saga de Harry Potter.

HERÓI: É o protagonista da história. Geralmente, a história é contada sob o seu ponto de vista. No início da jornada, ele, com frequência, é só mais um na multidão. Aos poucos, ele vai se tornando especial. É importante que o leitor sinta empatia por ele, apesar das suas falhas. Exemplo: Harry Potter.

SOMBRA: É a força antagonista da trama e representa o perigo à vida ou à missão do herói. Geralmente, é um reflexo do que o herói se tornaria caso ceda à maldade. Exemplo: Voldemort.

MENTOR: Oferece treinamento e informação para que o protagonista vença as suas batalhas. É uma ferramenta útil para elevar o nível das habilidades do herói, principalmente após uma derrota. É preciso que ele não esteja sempre ao lado do herói, para que este possa, sozinho, colocar em prática tudo o que aprendeu e se transformar no herói que o mundo precisa. Exemplo: Dumbledore.

ARAUTO: É quem traz notícias e dicas preciosas para que o herói vença as suas batalhas. Pode ser um mensageiro, um profeta ou o próprio mentor. Exemplo: Hagrid.

GUARDIÃO DO LIMIAR: É o primeiro obstáculo entre o herói e sua missão. Pode ser uma força antagonista (enviado pela sombra) ou agir em causa própria (subtrama). Seu papel é desafiar o herói e torná-lo mais forte no processo, para que este consiga enfrentar o vilão. Exemplo: Snape.

METAMORFO: É um agente duplo, conhecido ou não, ou alguém que muda de comportamento no decorrer da trama. Sua função é trazer imprevisibilidade para a trama. Exemplos: Snape (nos último e penúltimo livros).

TRAPACEIRO: Ele perturba a ordem social e traz caos ao mundo do herói. Pode causar mudanças significativas na trama, sendo um vilão ou um alívio cômico. Exemplos: Fred e George Weasley

ALIADO: É quem ajuda o herói em sua jornada. Pode ser seu par romântico. Não é raro que o herói perca algum aliado durante a jornada. Exemplos: Rony e Hermione

OBSERVAÇÃO: Cabe ressaltar que, embora os arquétipos sejam ótimas ferramentas, caso você se prenda demais a elas, suas personagens correm o sério risco de serem puros clichês. Então, ao criar personagens pense em arquétipos até que elas “ganhem vida”. Depois, apenas acompanhem o que elas fizerem.



Recomendação

No final de cada post, irei recomendar um livro que pode, de alguma forma, te ajudar na sua jornada como escritor(a).

Hoje, recomendo o livro Fúria vermelha de Pierce Brown. Um dos melhores livros que li nos últimos anos. Enredo, personagem e mundo muito bem construídos. Mas o grande diferencial deste livro é o ritmo. O chamado “fast pace” (velocidade de acontecimentos da trama e a quantidade de reviravoltas) é impressionante. O leitor está sempre à margem da trama, nunca sabe para onde ela vai. Aconselho para quem perceba lentidão na sua escrita. Leia. E depois releia procurando as reviravoltas e refletindo na velocidade do enredo.


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