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  • Bruno Crispim

Você precisa escrever todo dia?



Um conselho dado de forma quase unânime é: escreva todos os dias.

Em blogs, podcasts, canais, livros ou em qualquer outro espaço que se fale do ofício de escrever livros, a palavra da salvação para o escritor é construir um hábito diário de escrita.

O pequeno esforço diário que trará um resultado enorme no longo prazo. Inclusive aqui no GUIA, pelo menos uma vez eu publiquei uma citação de Ray Bradbury que atenta para a importância dessa constância na carreira do autor.

Não é por menos. Hoje, já não se refuta a ideia de que, quanto mais você exercita a escrita, melhor você escreve. E se você escrever uma hora por dia, no final de um ano, você despendeu tempo equivalente a uma pós-graduação inteira.

Mas, será que uma hora por dia é o suficiente para você reler a história, reconquistar o tom do dia anterior e ainda produzir algo significativo para uma narrativa longa?

ESCRITA POR PROJETO

Não à toa, apesar de ser lógico, é bastante raro que os escritores profissionais produzam em pequenas doses diárias. Tanto para brasileiros quanto para norte-americanos, o comum é que os autores trabalhem com projetos – mesmo sem saberem disso.

Em um projeto, você aloca os recursos – no caso, tempo e esforço – em função da urgência de cada tarefa, por um prazo determinado.

No caso da escrita de um romance, onde prazos intermediários são de difícil avaliação, o que conta é o objetivo final – terminar o livro. Este prazo final pode ser atribuído por um agente, uma editora ou ser auto imposto.

Sabe quando você tem uma prova e um trabalho final marcado desde o início do semestre, para cada uma das suas matérias, e, ainda assim, você espera o último minuto possível para começar a estudar? É assim que os escritores profissionais costumam funcionar. Um mês antes do prazo final, começa a temporada de viradas de noites para conseguir terminar à tempo.

Não há quem possa defender esse modelo como o melhor modelo para a sua saúde física ou mental. Mas não podemos ignorar os benefícios para a produtividade e para a própria escrita. Esse desespero favorece a imersão do escritor em sua obra. E esse foco costuma trazer mais profundidade à trama e às personagens.

Mas há um custo a ser considerado também. É comum que os autores que trabalhem assim passem por um burnout (ou esgotamento profissional) e fiquem alguns meses sem conseguir escrever.


Mas existe uma terceira opção, que mescla os dois primeiros métodos.

Nela, você cria um hábito de escrita forte, além de ter o tempo necessário para imergir na história. Esta alternativa é separar um ou dois dias inteiros da semana para escrever. Uma forma alternativa para quem estuda ou trabalha é separar o sábado (e/ou o domingo) exclusivamente para o seu livro.

Algo essencial para que esta terceira forma de produzir dê certo é bloquear a sua agenda. Cada compromisso ou interrupção que consumir quinze minutos do seu tempo, que seja, tirará a sua atenção. Você perderá o dobro desse tempo para retomar o foco.


Logicamente, que o que funciona para um pode não funcionar para o outro.

Stephen King escreve todos os dias, quase o dia inteiro, durante quase toda a sua vida – uma exceção que deve ser comemorada pelos seus fãs.

O que eu recomendo é que você teste essas três formas de trabalhar de coração aberto – e qualquer outra que você vier a conhecer ou desenvolver. Escreva todo dia. Persiga um prazo com foco total. Misture e adapte as duas opções anteriores. Teste. Teste até encontrar o que melhor funciona para você.

Você já tentou escrever todo dia? Funcionou para você?

Já teve um prazo apertado para escrever? Como foi?

Testou escrever o sábado inteiro – todos os sábados por dois meses?


Indicação de leitura

No final de cada post, irei recomendar um livro que pode, de alguma forma, te ajudar na sua jornada como escritor(a).

Acabei de terminar um ebook e gostaria de recomendá-lo para vocês. Se trata do Como Encontrar Editoras e Agentes Literários: Guia de Informações para Escritores do Felipe Colbert. O livro é um compêndio muito útil para o escritor iniciante e traz, em um lugar só, informações valiosas e práticas sobre o mercado editorial e o ofício do agente literário. Tudo isso pela voz de um agente literário brasileiro. Foi muito útil, hoje. E teria me poupado de muitas horas de pesquisa, alguns anos atrás.

Se você gostou dessa recomendação e quiser comprar o livro, use esse link para contribuir com a manutenção do GUIA ;)

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