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  • Bruno Crispim

A ansiedade na carreira do escritor

Atualizado: há 5 dias

Antes do primeiro post de conteúdo, precisamos atacar as quatro principais mazelas de um escritor iniciante: a ansiedade, a insegurança, a falta de leitura e a falta de prática.


Comecemos pela primeira.


Toda carreira tradicional demanda anos de preparação. Além da formação ainda é necessário um período de prática assistida até que um profissional tenha plena capacidade e autonomia.

Com artistas, não é diferente.


Na falta de curso formativos, tudo começa com a leitura de incontáveis livros. Então, começamos escrevendo textos pouco autorais, quase cópias involuntárias da literatura que nos cativa. Aos poucos, testamos novos caminhos. Erramos. Consertamos. Falhamos. Aprendemos. E vamos descobrindo, pouco a pouco, uma escrita própria e única.


Ansioso(a) ou não, esse processo de autoconstrução demora alguns anos de trabalho árduo. A ansiedade só vai te causar sofrimento e ainda pode te deixar tentado a escolher caminhos bons-demais-para-ser-verdade (SEMPRE fuja de soluções milagrosas).


E se você parou de ler em “anos de trabalho árduo”, eu não te culpo. Esses anos podem ser dois, três, sete, provavelmente, dez. Sim, é muito tempo. Mas este não é um número aleatório. Ele é uma extrapolação da “regra das 10 mil horas”.


Essa “regra” é derivada de uma pesquisa que investigou pianistas profissionais e estabeleceu uma forte relação entre as horas de prática e o sucesso de cada um deles. A partir de então, estudou-se casos famosos como o de Mozart, que aos seis anos tocava em concertos de olhos vendados para a realeza austríaca.


Contrariando a crença simplista de que ele era um gênio precoce, o esforço, mais uma vez, foi o que fez a diferença. Seu pai se dedicou exclusivamente a treiná-lo desde os três anos de idade. Estima-se que aos seis anos ele já tinha 3500 horas de treinamento. Aos 13, ele já tinha alcançado 10 anos de treinamento. E só apenas aos 21 ele começou a compor as obras-primas que o fizeram ser reconhecido como um gênio.


Logicamente, existes diversos fatores aleatórios e exógenos que compõem o sucesso de uma pessoa. Contudo, a dedicação de 10 mil horas pode ser observada nos mais diversos campos: de artistas e atletas à cientistas e empresários. O responsável pela expansão sem limites do McDonald’s, por exemplo, falhou a vida inteira até aprender o necessário para ser um empreendedor de sucesso.


Mas não se apavore. Essas 10 mil horas serão o ápice do seu desenvolvimento como escritor. Será o momento em que você estará buscando a sua obra-prima. Você pode – e deve – produzir e publicar muita coisa antes de chegar nelas.


Eu cito esta teoria para que você entenda que não existem corta-caminhos. Toda jornada tem um começo e a única “ansiedade” aconselhável é completar logo as suas 10 mil horas.


Ser um escritor é, acima de tudo, ter determinação e paciência.


Indicação de leitura


No final de cada post, irei recomendar um livro que pode, de alguma forma, te ajudar na sua jornada como escritor(a).

Hoje, recomendo Ed Mort – Todas as histórias de Luís Fernando Veríssimo. É uma obra engraçadíssima que por isso já deveria ser lida. Mas o que eu ressalto nessa obra é a forma como o tamanho das frases altera o ritmo da história. Veríssimo é um arquiteto do ritmo. Ele quebra as frases ao meio para ganhar humor ou suspense. Sem dúvidas, o livro que individualmente mais influenciou a minha escrita. Aconselho para todos. Qualquer trama precisa de suspense.

Se você gostou dessa recomendação e quiser comprar o livro, use esse link para contribuir com a manutenção do GUIA ;)

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