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  • Bruno Crispim

todas as regras da escrita





Mostre, não conte

Seus personagens devem ser complexos

Diálogos devem ser realistas

O primeiro capítulo tem que ser cativante

Cada cena tem uma função clara

Narrador tem que ter voz interessante

Comece escrevendo contos

A primeira versão de qualquer coisa é uma merda


Se você não caiu nesse capítulo por acaso, percebeu que todas essas regras de escrita acima já foram citadas aqui no GUIA. Algumas delas, várias vezes. E é só uma pequena parte do catálogo das muitas regras de escrita que são repetidas para os escritores iniciantes.

Hoje, contudo, propagarei a anarquia, de leve. Vou levantar uma bandeira que costuma ser ignorada – aqui no GUIA, nos livros e nas oficinas. Chegou a hora de criticar as regras de escrita por padronizarem as histórias.


Não que as regras deixaram de ser importantes. Foram, são e serão importantes. São balizadores importantes, principalmente para os escritores iniciantes. Você se aproveita dos erros e acertos de grandes profissionais do passado (escritores, editores, professores). Nada melhor que aprender com os erros dos outros para acelerar sua própria evolução. E o que um escritor iniciante quer mais do ir logo para parte que ele é um escritor profissional?


Então, antes de mais nada, vale um esclarecimento importante: as regras são importantes e devem ser estudas. Elas são ferramentas que você deve conhecer para que sejam úteis em caso de necessidade. Sem uma boa caixa de ferramentas (como disse Stephen King) o escritor fica em apuros quando começa a seguir o seu próprio caminho e se depara com um enredo que não funciona, personagens que não cativam ou uma linguagem insossa.


Contudo, usar essas ferramentas sem refletir se elas são apropriadas à sua história é o mesmo que pegar um martelo ao acaso de sua caixa de ferramentas e usá-lo em pregos, parafusos e roscas sem se considerar a necessidade individual de cada um.


Você precisa, antes, conhecer a sua história com profundidade e entender o que falta nela – sempre falta alguma coisa em toda história. Depois, deve buscar entre as ferramentas disponíveis, considerando suas utilidades e limitações. O passo seguinte em direção à criação de algo novo é desenvolver uma nova solução, uma que seja a ideal para a sua história.


Precisando de um exemplo para te iluminar?

Achei um exemplo particularmente interessante em um livro que li, A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert, de Joël Dicker. É um suspense de 670 páginas que rompe um algo sagrado para mim – o final. Eu desenvolvo minhas histórias para que o desfecho seja retumbante. Mas ele escreveu um livro onde os capítulos finais não são relevantes.


E por que a escolha de Joël Dicker não foi um erro?

Porque a natureza dessa trama – incrivelmente elaborada – é que sempre há perguntas sendo respondidas e novas indagações sendo feitas, sempre há uma reviravolta e um novo suspeito. Contudo, ao escolher sempre conceder ao leitor informações importantes sobre a trama, ele faz uma escolha interessante: entrega revelações que poderia segurar para criar um final ressonante.


Mas o que há de positivo nisso?

Fazendo isso, ele conseguiu aumentar em muito a complexidade da trama de um suspense. Você já reparou que os suspenses policiais costumam ter no máximo 300 páginas? Como essa entrega constante de pistas, ele conseguiu desenvolver um livro com o dobro do tamanho que te agarra e não te solta. Ele conseguiu fazer um mergulho mais profundo na vida dos seus personagens, sem perder o ritmo.

Algo igualmente importante foi que respostas foram dadas gradualmente e constantemente de forma que, quanto tudo fez sentido (faltando ainda umas 50 páginas), mesmo eu não esperava, nem queria, que mais nada acontecesse e fiquei muito satisfeito com o desfecho do livro.


Conclusão

Não deixe de estudar e adquirir ferramentas de escrita, mas não deixe de buscar criar consciência sobre a sua escrita. Entenda o que faz sua história única – aquela que só você poderia escrever. Analise os prós e os contras de cada uma das suas opções de enredo, estilo, personagens, diálogo, etc.. Lembre-se que cada escolha tem seu custo. Saiba quanto custa para a velocidade da trama, aumentar a complexidade de um personagem. Ou quando deve pagar em originalidade por diálogos realistas.


Quando adquirir consciência sobre as demandas da sua história, você naturalmente deixará de pensar nas ferramentas padronizadas que tratam de problemas genéricos. Passará a buscar soluções únicas, novas, que muitas vezes contradizem as regras de escritas.





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